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Thiago Lima Nicodemo é Coordenador de equipe de Preservação Digital do Memorial Digital da Pandemia de COVID-19, um Repositório Arquivístico Digital Confiável (RDC-arq), que tem por objetivo preservar a memória do período pandêmico. Trata-se de uma iniciativa do Ministério da Saúde em parceria com o Centro de Humanidades Digitais da UNICAMP e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). 

Como preservaremos as fontes que servirão de base para construir a história da pandemia?

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Já nos primeiros meses de pandemia, em julho de 2020, Thiago Nicodemo, Ian Kisil Marino e Pedro Telles da Silveira publicam o primeiro artigo refletindo sobre o papel do arquivamento na memória da pandemia em curso, estabelecendo as bases para a agenda de pesquisa do Centro de Humanidades Digitais da UNICAMP:

“O  que  está  em  jogo  é  a  questão  incipiente,  porém  incontornável,  do  lugar  da história e da memória no mundo contemporâneo. A pandemia da Covid-19 é um evento disruptivo  global  que,  ao  mesmo  tempo,  acelerou  o  processo  de  internalização  das relações sociais na lógica digital e desnudou o problema das formas e do agenciamento sobre  o  lembrar  e  o  esquecer  nos  arquivos  digitais.  A  criação  de  um  banco  de  dados com  essas  memórias,  o  estudo  de  experiências  de  arquivos  digitais  contemporâneos análogos,  o  desenvolvimento  de  aparatos  digitais  originais,  a  estruturação  de  um laboratório  transdisciplinar  especializado  e  a  realização  de  parcerias  com  instituições públicas  de  pesquisa  e  de  ensino  de  ponta  caminham  na  direção  da  busca  de  uma epistemologia da história em nossa contemporaneidade digital.”

CORONARQUIVO

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A partir desta reflexão, surge, ainda em 2020, o projeto Coronarquivo: um “arquivo de arquivos” dedicado a entender quais entidades estavam mobilizadas na organização e preservação de memórias da pandemia.


Ao longo da pesquisa, foram mapeados dezenas de iniciativas de memória da pandemia criadas por coletivos, instituições, escolas, museus, comunidades indígenas, associações de moradores em favelas, movimentos sociais e pesquisadores em todo o país


Já em dezembro de 2020, organizamos uma live com vários dos projetos mapeados, unidos em torno de uma demanda em comum: a organização de um memorial da pandemia.

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O trabalho então consistiu no mapeamento sistemático de iniciativas por todo o território, entre universidades, grupos comunitários, ONG’s e instituições governamentais, as diferentes iniciativas dememória da pandemia.Grupos sociais que produziram memórias ao longo da pandemia, formatos diversos, etc.Números: 120

*Os dados do mapa não foram atualizados

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HISTÓRIA ORAL E PRESERVAÇÃO

Desde 2021, a equipe do CHD realiza entrevistas de história oral com as equipes das diferentes iniciativas de arquivos digitais sobre a pandemia de COVID-19 no Brasil e na América Latina.

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LIVRO - POR UMA HISTÓRIA DA COVID-19

Em 2023, várias das experiências e resultados de pesquisa do projeto Coronarquivo foram organizados na forma do livro “Por uma história da COVID-19: iniciativas de memória da pandemia no Brasil”, organizado por Ian Kisil Marino e Thiago Nicodemo.

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ARQUIVOS INFORMAIS: OXFORD RESEARCH ENCYCLOPEDIA

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Dois artigos escritos para a Oxford Research Encyclopedia, ‘COVID‑19 and Digital Archives in Latin America’ e ‘Digital Informal Archives in Contemporary Brazil’ ajudam a nomear um fenômeno: durante a pandemia, arquivos poderosos nasceram longe de arquivos públicos, museus e bibliotecas. São arquivos digitais informais, criados por pessoas comuns, que recolhem relatos, imagens, vídeos e dados em plataformas diversas, muitas vezes com poucos recursos e muita invenção.

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POLÍTICA PÚBLICA DE MAPEAMENTO

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Em março de 2024, o Ministério da Saúde realiza, em Brasília, o “Seminário Memorial da Pandemia de Covid-19”. O seminário foi marcado pela assinatura de um Memorando de Entendimento entre os Ministérios da Saúde e da Cultura, formalizando a parceria para a criação do Memorial da Pandemia de Covid-19 no Centro Cultural do Ministério da Saúde, no Rio de Janeiro. Ao longo de 2024 e 2025, o diálogo constante resultou na construção de um modelo de política pública voltado à memória da pandemia.

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A proposta envolve não apenas a criação de um memorial, mas o reconhecimento e a articulação de uma rede já existente de iniciativas, muitas delas organizadas pela própria sociedade durante o período de crise.Dessa forma, se consolida a ideia de um Memorial Digital da Pandemia da Covid-19 como um projeto estruturado de política pública, ancorado em princípios de preservação digital, acesso aberto e participação social para garantir a preservação destas memórias coletivas.

O MEMORIAL

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Em 2026, o projeto “Memorial Digital da Pandemia de Covid-19” consolida suas bases conceituais, institucionais e técnicas e se prepara para o lançamento público de um portal digital gerido pelo Ministério da Saúde, lançado em abril de 2026.

O portal reúne depoimentos, entrevistas, produções artísticas, fotografias, documentos e referências bibliográficas sobre a pandemia, articulando várias das iniciativas de memória anteriormente mapeadas pelo CHD, espalhadas por diferentes territórios e contextos sociais, e permitirá através de políticas de crowdsourcing um crescimento contínuo do acervo.Ao mesmo tempo, o projeto se desdobra para além do ambiente digital. Estão previstas ações de difusão, como exposições itinerantes em diferentes capitais e uma exposição permanente no Centro Cultural do Ministério da Saúde, no Rio de Janeiro, ampliando o alcance público do Memorial e reforçando seu papel como espaço de elaboração coletiva da memória da pandemia no Brasil.Com a participação do CHD na concepção e na curadoria, o Memorial Digital transforma anos de pesquisa em uma infraestrutura pública duradoura: um repositório histórico‑digital que garante acesso aberto, preservação de longo prazo e reconhecimento das múltiplas memórias da Covid-19 no Brasil.

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