O que são as Humanidades Digitais?
Para além do simples uso de computadores e o manuseio de dados, do que se trata o campo que pretende refletir sobre a interdisciplinaridade entre tecnologias digitais e ciências humanas?
A História Digital é apenas a história tradicional com ferramentas digitais ou representa uma transformação profunda no conhecimento histórico?
História
Digital?
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O termo Humanidades digitais (digital humanities) apareceu pela primeira vez em seu sentido atual em 2004, na obra A Companion to Digital Humanities, de John Unsworth, Susan Schreibman e Ray Siemens. Referia-se tanto ao uso de tecnologias digitais para o estudo das humanidades como o oposto (Smit, 2021). Desde então, o campo de estudos — ou melhor, a interseção de vários campos — vem sendo pauta de debates epistêmicos e institucionais com um crescente interesse dos departamentos de ciências humanas.
As Humanidades Digitais podem ser definidas como o campo (trans) interdisciplinar que utiliza as tecnologias digitais para investigar, analisar e representar os objetos de estudo das humanidades, promovendo novas formas de pesquisa, produção do conhecimento e disseminação da informação (Olson, Weller, 2021; Nicodemo, Marino, Rota, 2022).
Mas, afinal de contas, o que são as Humanidades Digitais?
Para estes pesquisadores o seu cerne reside no experimentalismo da integração de métodos qualitativos e quantitativos desde a produção e concepção do conhecimento, a abordagens teóricas e de ferramentas tecnológicas para analisar os objetos multidimensionais das ciências humanas.A obra Macroanalysis: Digital Methods and Literary History (2013), de Matthew L. Jockers, é um marco metodológico nas humanidades digitais ao operacionalizar, com rigor estatístico, a “leitura distante”. O livro demonstra como modelagem de tópicos, estilometria, análise de redes e outras técnicas quantitativas permitem observar padrões de longo curso na história literária em grandes corpora que extrapolam o alcance da leitura próxima. Ao articular perguntas canônicas de historiografia literária com workflows computacionais replicáveis, Jockers consolidou um vocabulário comum para projetos que cruzam crítica, estatística e computação, razão pela qual o volume é frequentemente citado como clássico da área.
Com a abertura de meios diferentes de se fazer pesquisa em ciências humanas, as HD representam dois convites para repensar a prática científica.
O primeiro refere-se aos conceitos-chave da teoria humanística: memória, fonte, narrativa, tempo, verdade e história. Como esses fenômenos são alterados quando pensados a partir do mundo digital? O surgimento do conceito fake news é um exemplo de, como afirmava o historiador Reinhart Koselleck, o neologismo é a resposta ao estímulo recebido pelo meio social diante de uma nova experiência histórica, que precisa, portanto, receber um espaço de significação na linguagem (Koselleck, 2006, p.107-111). Devemos considerar, portanto, que a digitalização afeta a experiência social e os modos pelos quais concebemos todo o vocabulário conceitual que enreda a experiência no século XXI. Será que, então, podemos deduzir que o digital afeta a forma como a história é enquanto um fenômeno?
Um segundo convite nos coloca para refletir sobre a exploração de ferramentas computacionais para pesquisa em humanidades. Será válido que usemos sistemas computacionais e cálculos estatísticos para dar conta de capturar a realidade social e histórica? As capacidades humanas antropomorfizadas pelo aprendizado de máquina em integração à big data possibilita, entre outras aplicações, a vetorização semântica, técnica que tem o objetivo decompor as palavras (tokens) de um conjunto de textos em seus significados mais próximos. Através de cálculos geométricos e matrizes de correlação, ela vem sendo utilizada pelos historiadores contemporâneos como ferramenta heurística para estudar mudanças semânticas em diversos tipos de corpos documentais. A técnica faz isso a partir de milhares ou milhões de textos, que são, de uma só vez, processados e representados. (Bonaldo, 2024; Borsatti, 2025; Hamilton, 2018; e Wevers, Koolen, 2020).
Nesse ínterim é válido perguntar: que tipos de mudanças sofrem as prática de pesquisa das ciências humanas diante da integração em ritmo cada vez mais acelerado das tecnologias computacionais que nos dão poderes sobre-humanos? Essa é a pergunta epistêmica que está aberta nas mesas de debates. Esses dilemas do digital chegaram há muito aos departamentos de História, e essa integração recebeu um nome: História Digital, Digital History ou Storiografia digitale.
Como Definir História Digital?
Ela pode ser definida tal qual as HD, porém diferindo em abrangência ao utilizar ferramentas e conceitos destas na análise diacrônica dos fenômenos sociais, relacionando os significados do passado às demandas do presente e às perspectivas de futuro. Contudo, o termo História Digital também pode compreender a História enquanto um fenômeno (Geschichte), ou seja, a História enquanto um “coletivo singular”, a história como um processo (Koselleck, 2006, p. 49-50). O objeto da filosofia da história. Assim, devemos considerar que a digitalização vai muito além de proporcionar modos diferentes de pesquisa histórica, mas que o digital afeta também a experiência do tempo e os modos pelos quais concebemos a temporalidade dos eventos, impactando a vida e desdobrando todo um vocabulário que significa e é significado pela experiência humana no século XXI.
A primeira forma é conceber a História digital como continuidade da pesquisa histórica: manter a pesquisa histórica tal como ela é em sua estrutura tradicional. A organização da pesquisa não se altera; o que muda é a criação de uma interface visual ou de um produto digital que transforma a forma de apresentação da pesquisa. Trata-se de uma transposição, como no uso de mapas, gráficos e visualizações de n tipos. Nesse caso, temos histórias digitalizadas sem uma alteração qualitativa do objeto: a digitalizada de um Dobrão português do século XVIII não altera o fato de ela ser uma moeda e dos significados históricos que podem ser extraídos dela a partir da fotometria. No entanto, esse tipo de prática exige, por conta da abundância de fontes, um grau elevado de planejamento, gestão da informação, recolhimento de metadados e trabalho coletivo entre os pesquisadores, sobretudo na coleta, armazenamento e compartilhamento dos dados. O próprio produto textual tradicional (como a tese) passa a ter uma importância relativa diante da representação gráfica. A própria tese se torna mais um dado.
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É importante que o historiador se envolva com os sistemas técnicos. Quanto maior a infraestrutura de pesquisa, maior tende a ser o grau de terceirização da infraestrutura de dados. Grandes laboratórios internacionais operam com grandes orçamentos e equipes multidisciplinares (programadores, engenheiros de softwares, historiadores, antropólogos, arquivistas, museólogos e etc.), o que cria uma assimetria internacional sobre a produção e governança de dados e tecnologias. Ao mesmo tempo, isso abre uma possibilidade para novas formas de fazer história nas periferias e em universidades com poucos recursos. Nesse contexto, podemos afirmar a provocação de Emmanuel Le Roy Ladurie (1973): os historiadores do futuro serão programadores, ou não serão?Essa abordagem da história digital promove uma integração que, embora não seja radicalmente crítica, altera aspectos da produção histórica, especialmente no que se refere à necessidade de conhecimento sobre produção, preservação e compartilhamento de dados. Uma evidente aproximação com a ideia de ciência aberta.
Uma segunda forma de fazer História Digital é por meio da História Pública Digital — ainda em processo de definição. Esta não trata apenas de usar sistemas digitais como meios de divulgação mais eficientes, mas sim de articular práticas digitais tensionando a amplitude dos grandes temas de interesse público, como memória, reparação, genealogias, genética, guerras, catástrofes ou os interesses mais ordinários, como os ditados pela geopolítica, por exemplo. A História Pública Digital não é simplesmente a História Pública tradicional aplicada a objetos ou fenômenos nativamente digitais, mas um campo que reorganiza a relação entre o público, o tema e a tecnologia. Nisso, fica o alerta: a História Pública Digital não pode ser confundida com divulgação científica, embora muitas vezes seja reduzida a isso, especialmente no meio digital.
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Uma terceira definição de História Digital aproxima-se da história da tecnologia e da metahistória, como discutido, por exemplo, na tese de Pedro Telles da Silveira (2018). Aqui, a História Digital assume um caráter instrumental, especialmente relevante para a formação dos alunos. Trata-se de uma história dos formatos e dos processos de transposição, capaz de fornecer instrumentos para aqueles que trabalham com acervos digitais. Uma história da técnica contribui para a preparação de qualquer trabalho histórico que envolva mediações tecnológicas.
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Uma quarta definição entende a História Digital como uma prática em que o próprio fazer histórico é modificado a partir do digital. O digital é compreendido como um processo formativo. O resultado dessa abordagem é pedagógico e fundador, pois é essencialmente heurístico. Não se trata de produzir um sistema porque ele seja “bom” em si, mas porque o processo de sua construção permite que historiadores façam história a partir de sistemas digitais. A implementação de um aparato digital torna-se, assim, um experimento: fazer ou modificar o algoritmo e construir datasets são o próprio procedimento heurístico. Como é o caso dos modelos de vetorização semântica WOKE, produzidos na UFSC (Bonaldo, 2024). Nessa forma de se fazer História Digital, interroga-se sobre o impacto das tecnologias sobre a produção do conhecimento histórico e sobre as formas de interpretação (hermenêutica), aproximando a história e as ciências de dados.
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A História Digital deve ser uma disciplina autônoma?
Por um lado, a institucionalização da História Digital como disciplina favorece a especialização. Por outro, todas as disciplinas históricas já sofrem os efeitos do mundo digital: na colaboração em torno dos dados de pesquisa, na gestão desses dados, na difusão digital do conhecimento produzido e na disponibilidade massiva de fontes em larga escala. Qualquer aluno deveria estar minimamente preparado para lidar com essas transformações.No Brasil, contudo, ambas as soluções parecem difíceis de implementar de imediato. Uma alternativa viável é pensar essas mudanças a partir da teoria da história, disciplina já consolidada nos currículos. Poder-se-ia imaginar uma evolução desse campo, incorporando disciplinas transversais, como História Digital, História Pública e metodologias de ensino. Esse movimento coordenado da teoria da história permitiria um novo aporte programático e transversal aos currículos.No campo da relação entre História e Inteligência Artificial, podem-se identificar duas abordagens principais. A primeira é o uso instrumental da IA no ofício do historiador, como nos já citados modelos WOKE da UFSC, no qual as técnicas de Processamento de Linguagem Natural (PLN) servem às demandas da história. A segunda é uma abordagem heurística, que busca compreender o funcionamento das ferramentas, formar os alunos para seu uso e, ao mesmo tempo, interrogar criticamente seus limites políticos e epistêmicos. Essa segunda perspectiva inclui a adaptação criativa das ferramentas existentes e a reflexão sobre a produção de outras inteligências artificiais, considerando uma epistemologia do algoritmo. Exemplos metafóricos, como a ideia do Meta-historians for robots (Nicodemo, Cardoso, 2019), ajudam a pensar os impactos epistemológicos da IA sobre a prática histórica.
Por fim, paradoxalmente diante da inevitável intromissão ou adoção do digital na prática historiográfica ou na história em si, não deixamos de viver uma forte resistência dos historiadores, que reagem de forma dispersa às inovações tecnológicas, em parte devido a tecnicidade de ferramentas digitais, à precariedade do acesso à tecnologia e infraestrutura e à falta de treinamento específico no campo da disciplinas metodológicas e teóricas do campo humanístico. Isso acirra justamente a desconexão entre as práticas tecnológicas emergentes e o debate teórico-metodológico. Como grupo de pesquisa ou comunidade reunida em torno ao Centro de Humanidades Digitais (CHD) do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Estadual de Campinas defendemos o papel crucial para a teoria da história na superação dos desafios apresentados pelas tecnologias digitais. Propomos que a teoria histórica possa integrar as dimensões metodológicas e epistemológicas da história digital, fornecendo um quadro conceitual destinado a lidar com as transformações que a digitalização impõe ao conhecimento histórico. Como demonstrado em outras oportunidades, esse horizonte acompanha a evolução do campo da teoria e metodologia da história no Brasil no século XX, disciplina que se originou justamente na necessidade de ensinarmos aos alunos a lidarem com o processamento de informações, locus privilegiado para a estruturação do campo da história no Brasil (Nicodemo, Santos, Pereira, 2018).
O ARQUIVO DIGITAL:
a questão soberana
O arquivo é uma instância central na produção do conhecimento histórico, já que modula a preservação de fontes em potencial a partir de seus critérios teóricos e técnicos de custódia, que configuram um agenciamento sobre o lembrar e o esquecer (Wimmer, 2015). Os arquivos digitais, nesse sentido, merecem um cuidado especial, por conta das inúmeras mudanças ocorridas com a presença do digital — dentre as quais, a intermediação de softwares de empresas privadas, a proliferação de variados formatos de documentos, os algoritmos, a inteligência artificial e as diversas interfaces de contato com o público. Além de determinantes na preservação de documentos, as operações arquivísticas revelam formas específicas de relação com a memória – pela deliberação do que é ou não preservado e de que forma isso ocorre. Estudar os arquivos digitais, assim, é importante tanto para o esclarecimento dos parâmetros de preservação documental, condicionantes da pesquisa histórica, quanto para a compreensão da memória e da soberania na contemporaneidade. A grosso modo, poderíamos dizer que boa parcela do poder geopolítico informacional no mundo contemporâneo pode ser resumida pela identificação de quem detém mais informações e os meios para utilizá-la em larga escala, como é o caso da construção dos modelos de inteligência artificial e de novos conceitos do mundo globalizado digital como capitalismo de vigilância (Zuboff, 2019) e colonialismo digital (Faustino; Lippold, 2023).
Assim, digitalizar nada mais é do que uma forma acelerada de acúmulo de dados e informações, lastreado nos processos anteriores de acúmulo de conhecimento em meio a disputas geopolíticas. Inscrita na história da técnica e na história das relações de força de dominação, a “questão soberana” é a luta por deter a custódia da informação e os meios para seu processamento, por sua vez, é umas das chaves para a compreensão do processo de digitalização; talvez uma das mais importantes questões para entendermos o mundo hoje Contudo, o processo de digitalização também não deixa de ser uma extensão das questões soberanas imbricadas na luta pela custódia do conhecimento desde muito antes do computador. A outra questão fundamental é a fronteira entre o público e o privado. No mundo digital produzimos cada vez mais evidências pessoais ou privadas, tais como nossas interações nas redes sociais e aplicativos. Este processo, no entanto, não começa no mundo digital, porém possui raízes na profusão de produção de informações no século XX. De qualquer forma, é claro que enquanto a quantidade de produção de informação de âmbito pessoal aumenta, também incrementa o grau de relevância pública para preservação e para direitos que devem ser atribuídos a essa massa de evidências.
Por uma História possível...
Por uma História possível...
Concluindo, podemos dizer que a questão por trás das humanidades digitais ou história digital não é a de “aproximar” as humanidades da tecnologia, nem de “incorporar” a tecnologia as humanidades, mas sim de restituir as ciências humanas a sua condição de crítica do que há de humano e do que há de não-humano em todas as ciências. Assim como desenvolver a capacidade de construir, coletar, organizar, processar e preservar o conhecimento para o benefício do coletivo, tendo em vista o avanço da tecnologia e dos meios de produção na era digital. Pode ser errado, impróprio ou inútil defendermos um estatuto epistemológico próprio para a História Digital ou para as Humanidades Digitais. Trata-se, sobretudo, da história possível no mundo contemporâneo, das humanidades possíveis; bem como de uma transformação mais ampla no estatuto da história enquanto conhecimento; de buscarmos elementos críticos potentes diante de uma “mudança sem precedentes” (Simon, 2019).
Acreditamos, finalmente, que a missão das Humanidades Digitais e da História Digital em particular é, nesse contexto, a de resistência, esta que, por sua vez, não consiste necessariamente em tentar impedir que o tempo passe e que as técnicas digitais evoluam, mas que melhoremos nossas ferramentas e nosso conhecimento do mundo digital para podermos pensarmos em formas alternativas para o uso destas tecnologias ao bem comum. Paradoxalmente, diante da digitalização do mundo, a capacidade crítica e subjetividade humana nunca foram tão cruciais.
Bibliografia
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