Memorial Digital da Pandemia é lançado para preservar a história da Covid-19 no Brasil
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Atualizado: há 2 dias
No Dia Mundial da Saúde (7 de abril), foi lançado oficialmente o Memorial Digital da Pandemia de Covid-19, uma plataforma que reúne e preserva o vasto registro científico, cultural e social da crise sanitária no Brasil. O projeto, que nasceu como uma pesquisa acadêmica na Unicamp, evoluiu para uma política pública de memória em parceria com os Ministérios da Saúde e da Cultura.

Fotografia: Carlos Erbs Jr
De "fundo de garagem" a política de Estado
A iniciativa começou em 2020 no Centro de Humanidades Digitais (CHD) da Unicamp, sob coordenação de Thiago Lima Nicodemo. O objetivo era responder a uma pergunta crucial: como preservar as fontes históricas de um evento que estava sendo documentado majoritariamente em meios digitais frágeis?
O que começou como o projeto Coronarquivo, que identificou mais de 120 iniciativas de memória espalhadas pelo país — desde registros de grandes universidades até relatos de comunidades indígenas e coletivos periféricos.
A fragilidade do digital e a luta contra o apagamento
O Memorial não é apenas um site, mas uma "solução de memória". O professor Nicodemo alerta para a fragilidade do ambiente digital, onde HDs quebram e plataformas desaparecem, e para a "cultura do esquecimento" no Brasil.
"O Brasil tem uma tradição de não processar suas feridas, foi assim com a ditadura, foi assim com a escravidão, e há o risco de acontecer o mesmo com a pandemia. O memorial é parte do processo de reconhecimento e elaboração do que aconteceu.” Thiago Lima Nicodemo
O que o público pode acessar
A plataforma oferece acesso gratuito a um acervo diversificado:
Relatos e História Oral: Depoimentos de cidadãos e grupos marginalizados.
Registros Visuais: Fotografias (incluindo o trabalho de Carlos Erbs Jr.), vídeos e produções artísticas.
Dados Científicos: Publicações, documentos normativos e mapas da crise.
Exposições: O projeto prevê mostras itinerantes e uma exposição permanente no Centro Cultural do Ministério da Saúde, no Rio de Janeiro.
Legado e Futuro
O modelo tecnológico desenvolvido pela Unicamp já desperta interesse internacional para ser aplicado em outros contextos, como guerras e mudanças climáticas. Para os idealizadores, o Memorial é um trabalho terapêutico e de responsabilidade coletiva, garantindo que as mais de 700 mil vidas perdidas e as transformações sociais do período não sejam subestimadas pela história.
Leia a reportagem completa no Jornal da Unicamp
Reportagem escrita por Daniela Brandi



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